Professor da UPE, Hildo Azevedo, tem artigo publicado na Folha de Pernambuco sobre os impactos da pandemia no estado

O jornal Folha de Pernambuco publicou, neste sábado (23.05), no caderno Opiniões o artigo " Manifesto aos pernambucanos" do professor da Universidade de Pernambuco (UPE) e presidente da Academia Pernambucana de Medicina, Dr. Hildo Azevedo.

Para acessar o material acesse o link: https://www.folhape.com.br/noticias/noticias/opiniao/2020/05/23/NWS,141562,70,795,NOTICIAS,2190-OPINIAO-MANIFESTO-AOS-PERNAMBUCANOS.aspx

Confira o texto:

O cenário da Saúde Pública Brasileira é extremamente grave. A pandemia pelo SARS-COV-2 está tomando dimensões alarmantes em vários estados do Brasil, inclusive em Pernambuco. A análise dos casos de COVID-19 demonstra que, desde meados de abril, a propagação do novo coronavirus se intensificou preocupantemente em nosso estado, com elevada concentração de casos confirmados na Região Metropolitana do Recife e consequente interiorização da pandemia. 

Até o dia 21 de maio, conta-se em Pernambuco 23.911 casos confirmados e 1.925 óbitos causados pelo COVID-19. Especificamente na área da assistência à saúde, de um total de 7.983 profissionais examinados, 4.371 (55%) testaram positivo para o COVID-19 (com 27 óbitos) e 287 (3,6%) estão em investigação. Entre os casos confirmados, 2.710 são de profissionais de saúde que têm vínculo com a Secretaria Estadual de Saúde de Pernambuco, sendo que 420 (15,5%) são médicos.  

Esses números indicam que a pandemia ocasionada pelo COVID-19 está fora de controle e, na medida em que respeitadas e confiáveis projeções sugerem, prenuncia-se que o nosso sistema de saúde se aproxima celeremente do caos nos seus vários aspectos, e o que é pior projetando um cenário de mortalidade que pode ultrapassar dezenas de milhares de óbitos.

Portanto, torna-se mandatória essa nossa manifestação pública, conclamando autoridades, instituições, entidades e população para que sejam estabelecidas medidas imediatas ainda mais duras de distanciamento social, no momento o mecanismo reconhecidamente mais eficiente para a redução dos danos e empregado pela maior parte dos países dotados de sistemas de saúde responsáveis e eficientes. Temos o entendimento que tais condutas acarretarão ainda mais sofrimento para todos, todavia as mesmas só  poderão ser efetivas se contarmos com a união de toda a Sociedade Civil, dos Governos Municipais, Estaduais  e das autoridades  federais constituintes dos Poderes  Legislativo, Judiciário e especialmente do Poder Executivo a quem  compete  a   liderança do processo, sendo dever de todos o total comprometimento com os graves desafios humanitário, sanitário, científico e estratégico que o momento e história nos apresentam.  

A unidade da Nação e a ação sanitária imediata devem, nesse instante, caracterizar-se como uma imperativa atitude cívica e patriótica. Paralelamente, demanda-se uma atenção redobrada para com os mais vulneráveis, vítimas maiores desta pandemia, como também com o uso de tratamentos recomendados pela comunidade científica e que tenham sido aprovados pelo Conselho Federal de Medicina.

Finalmente, dentro dessa tragédia, urge e rogamos que todos nós lutemos para permanecermos unidos, superando divisões e suplantando polarizações, sem deixar de observar os princípios fundamentais que orientam a assistência à saúde, e que nos concentremos na defesa intransigente da ética, da dignidade do ser humano, e em última análise na preservação da vida razão de ser do nosso juramento médico. 

Fonte: Folha de Pernambuco.